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Seu nome, sua marca
Henrique Inglez de Souza
Sabe aquela história de ser músico cover? De você ver que ele ou ela tem um bom equipamento, que demonstra conhecer aquilo que faz e que tem intimidade com o instrumento, mas não aproveita da maneira que poderia, sabe? Então, essa é uma postura muito mais ampla do que a esfera do executar melodias, compassos, acordes, riffs, solos. Está espalhada por onde quer que enderecemos a atenção. Canais de TV, rádios, sites, publicações impressas, estabelecimentos comerciais de diversos fins, profissionais, amadores, parentes, colegas... Há sempre um(a) teimando em calçar as pegadas que não são suas. O problema não é o caminho ser igual, mas a incapacidade de percorrê-lo por meio próprio. E é tão medíocre “emprestar” a espontaneidade dos outros. Sou tomado pela vergonha alheia quando percebo isso na atitude de alguém. Não critico os que iniciam uma jornada investindo esforços em reproduzir o que foi feito pelos expoentes no assunto. Faz parte do aprendizado, além de ser uma diversão. Também deixo de fora os que preferem se manter na coisa somente por diletantismo. Minha bronca vai para quem usa essa postura no viés profissional – há os que agem assim por convicção e os que pensam estar mandando bem por si sós. Pior: o que dizer quando é o nosso trabalho o objeto de cópia (às vezes, descarada)? Neste caso, não é vergonha alheia. A sensação que dá é a de estar esbarrando com a materialização do ridículo, é a de conhecer a face do pobre de espírito (ou pilantra, mesmo). Dá uma total falta de interesse no que mais pode vir dali, um asco que nem purgante ajuda a aliviar. Para mim, que gosto de criar, o natural compõe-se de pegar as referências e suar pacas, até desenvolver algo meu, com a minha cara, a minha voz. Absolutamente tudo sai assim, original? É claro que não, mas traz, sem dúvida, as marcas do meu esforço por tal ideal – detalhes que não se veem na ação dos que copiam jurando avançar na direção do novo. Não se trata de frescura! Valorizar-se, antes de tudo, não é frescura (nunca foi)! Quem se presta ao nome que tem não empresta o nome que faz nem recorre ao nome de alguém. Agora, se você prefere construir a sua imagem sob a marquise do sucesso dos outros, então se contente em ser uma figura esquisita diante do espelho, um eterno cover – no sentido mais pejorativo da palavra. 
Matéria completa na Revista Bass Player 43/Abril de 2015.
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