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Mercado do peixe
Henrique Inglez de Souza
 A internet é uma ferramenta e tanto, não? Um dia desses, estava desanuviando os miolos imaginando como seria se houvesse esse monte de recursos nos anos 1960. Já pensou acompanhar as postagens dos Beatles ou “curtir” os vídeos compartilhados por Charles Mingus? Seria sensacional! Mas aí refleti melhor. Teriam eles tido o mesmo impacto transformador na história da música? A pulverização banaliza tudo, afinal de contas! Facilidade demais gera, em diversos casos, acomodação e menos preparo. Por exemplo, naqueles anos, basicamente, o cara tinha que aprender na raça. Colocava o disco de vinil para tocar e ia apanhando até conseguir. Além do quê, para se divulgar, precisava literalmente correr atrás. Suava-se mais a camisa. Em 2013, entretanto, há tanto software, botão e banda larga que a coisa vem praticamente pronta. Sei lá, mas parece que o conhecimento está ficando menos musical e mais técnico. Não é uma generalização, pois a tecnologia ajuda e também há quem saiba aproveitar o talento e o tempo economizado da maneira correta. Mas são poucos, comparados aos que vemos no on-line. O mundo das redes sociais criou um pessoal meio superficial, que só investe na imagem e se esquece de que habilidade e criatividade na performance são vitais. Traduzindo: temos incontáveis novos artistas/grupos com fotos caprichadas e links direcionando a uma ingrata surpresa de mediocridade sofrível. Estamos na chatíssima era do celebritismo, do culto absurdo à vaidade. Antigamente, o povo queria música com carne, osso e alma. Obviamente, o marketing trazia status tentadores, mas as pessoas ainda preferiam qualidade no conteúdo. Então, por mais pop e famoso que fosse, o cara se sentia desafiado a compor cada vez melhor. Os ídolos surgiam nas ruas e não em reality shows da TV. É por isso que duravam. Já os de hoje...  A realidade atual mostra que os bons estão ilhados num mar de porcarias. Tal qual estudar música, é preciso dar duro para vender o peixe nesse mercadão caótico. Não bastam só poses para foto estilosa. Aproveite a internet para mostrar serviço de primeira linha, e insista (por favor!). Quem sabe, assim teremos um contexto cheio de novos e empolgantes ícones outra vez. 
Matéria completa na Revista Bass Player 27/Dezembro de 2013.
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