------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Ofício e sacrifício
Henrique Inglez de Souza
Até onde ou quanto você está disposto a seguir pelo seu ideal? Essa pergunta tem me perseguido bastante nestas últimas semanas. Confesso que ainda não encontrei respostas exatas – embora saiba que para a maioria dos ideais não há uma ciência perfeita capaz de produzir respostas com começo, meio e fim. Bom, digo isso, pelo menos, me referindo aos principais ideais, já que os demais são secundários o suficiente para não conseguirem movimentar a roda da minha vida. São imediatos, cotidianos. Objetivos, quem não os tem está sem chão firme para caminhar. Alguns dos meus atravessam profunda análise – vez ou outra nos pegamos nesses momentos. Procuro entender se são realmente objetivos ou somente sonhos descompromissados. Como libriano, os coloco em uma balança de ponderação e meço a minha capacidade de me sujeitar aos imbróglios que naturalmente cada situação exige. Ao mesmo tempo que há a tentação, há a precaução, e é aí que está a corrente que nos prende pelo destino. Refletir acerca desse tipo de coisa me ajudou a visualizar melhor o horizonte diante dos olhos (inclusive, a me trazer até aqui, onde estou). Pude concluir certos aspectos, por exemplo, profissionais. E não se trata de algo exclusivo meu. Esse é um exercício que cabe e que recomendo a todos, afinal de contas, duvido que haja um ofício sem sacrifício. São condições irmãs. Se observarmos os que estão começando a aprender a tocar um instrumento, veremos similaridades com os garotos que gostam de jogar bola. Pergunte o que querem ser e provavelmente dirão “músicos/jogadores famosos e ricos”. Acho saudável e até justo almejar isso. Porém, quando deixamos a fase naïf da vida e nos damos conta de que a realidade é mais complexa, acabamos sofisticando o sentido que pretendemos seguir e abandonando excessos de vontades. Considero esse o ponto-chave e determinante de nossas jornadas (é quando iniciamos os incontáveis processos de abrir mão disso em prol daquilo). Portanto, repito: até onde ou quanto você está disposto a seguir pelo seu ideal? É a música o seu negócio? Ótimo, mas está mesmo disposto a encarar os perrengues que surgirão para viver do que gosta? Não adianta se espelhar no sucesso dos outros. Isso é um erro fatal, o qual só trará frustração, já que suas expectativas dificilmente serão correspondidas. Inspire-se, mas evite se deixar levar pela biografia alheia. Quem garante que o sucesso vem logo como o deles? Quem garante que algo maravilhoso e inesperado não surgirá diante de você? E mais: o que é sucesso? Há diversos aspectos relativizando as peças no tabuleiro, e sabe por quê? Porque o mundo gira diferente para cada um de nós. Daí a importância de se medir o sacrifício necessário para o ofício pretendido – nem precisa ser este a carreira musical. Qualquer profissão, qualquer atividade, qualquer dedicação é um ofício, e todas incluem sacrifícios. Frio na barriga é bom! Então, pare e pense sobre o que quer. Se entender que deve encarar, vá em frente! Quando nos ferramos tentando conscientemente aprendemos, mas quando nos ferramos sem saber a razão, perdemos um tempo precioso. Colocar os pés no chão já ajudou muitos a sair da tristeza, por torná-los mais esclarecidos quanto ao que querem. De repente, você ama música, mas como hobby, diversão, e se sente pressionado de alguma maneira a ter que se dar bem nessa área. Ou então, gostaria de ser um profissional, mas se trata como amador, deixando que os medos te segurem. Pense nisso... Essa tal zona de conforto é mesmo uma merda!
Matéria completa na Revista Bass Player 62/Novembro de 2016.
Para adquirir seu exemplar clique aqui.

[VOLTAR]
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
LEIA TAMBÉM
Mentalidade hermética (27/03/2017)
Músico criticar preconceito com preconceito é inadmissível, ponto contra! Embora não seja mais um ... VEJA MAIS
Diletantismo (07/02/2017)
Numa tarde, há algumas semanas, encontrei o exemplar de um livro meu em um sebo. Aquilo me encheu de alegria. Por mais que ... VEJA MAIS
Comova-se! (23/12/2016)
A falta é um buraco que não se preenche. E não me refiro à falta de algum produto, de um objeto ou um ... VEJA MAIS
Ofício e sacrifício (23/11/2016)
Até onde ou quanto você está disposto a seguir pelo seu ideal? Essa pergunta tem me perseguido bastante ... VEJA MAIS
Teoria da ebulição (19/10/2016)
Enquanto vivemos uma feira aberta de ódio, em que se trocam ofensas, intolerâncias e preconceitos com tesão, ... VEJA MAIS
Patience (14/09/2016)
Recebi a mensagem de um leitor perguntando o que achei da volta de Duff McKagan e Slash ao Guns N’ Roses. A resposta foi a ... VEJA MAIS
 
 



Coloque o seu estudo em dia!






Assinaturas | Contato | RSS | Bass Player U.S |
© Copyright . 1996 . 2011 | BASSPLAYER.COM.BR - MELODY EDITORA | Todos os direitos reservados | Site desenvolvivo por Gustavo Sazes | Abstrata.net