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Patience
Henrique Inglez de Souza
Recebi a mensagem de um leitor perguntando o que achei da volta de Duff McKagan e Slash ao Guns N’ Roses. A resposta foi a de que por enquanto achei legal e empolgante. Ele me questionou o porquê desse pé atrás, e expliquei que ainda não conheci a banda versão 2016. Então, o cara reagiu com um “pô, meu, mas é o velho Guns! Os caras são foda”. Parece frescura minha, mas não é. Os vídeos na internet ajudam, só que não substituem a experiência de ficar a alguns metros de distância e ver o que acontece no palco. O ao vivo é o melhor termômetro para medir o gás atual de qualquer banda ou artista. Quem já foi a vários shows, como fui, deve ter tido impressões semelhantes. Provavelmente concorde comigo. Houve casos em que a empolgação por ver um ídolo fora terrivelmente destroçada por uma frustrante atuação dele. Ou quando o meu desinteresse acabou surpreendido por algo fantástico, levando-me a virar ferrenho admirador do músico. Também há situações em que uma atração pela qual não dávamos nem 5 centavos nos cala a boca com uma performance impecável, ou situações tipo Ozzy Osbourne – cuja atuação está bem passada, mas que vale por ser quem é. Outro teste crucial é o do disco de inéditas. Criatividade e inspiração não são itens necessariamente inclusos no pacote das reuniões. O que já me decepcionei ouvindo os álbuns resultantes de reencontros por anos e anos desejados... Teve o Kiss nos anos 1990, quando a formação original voltou à ativa, com máscaras, figurinos. Para mim, era como uma espécie de acerto na loteria acumulada. Porém, assim como a fortuna veio repentinamente, foi-se numa única audição de Psycho Circus. Apesar de haver músicas empolgantes, o quarteto soa burocrático, sem uma química convincente. Começava ali a fase dedicada exclusivamente à caça aos níqueis. E aí, ainda que tenha curtido o show no Brasil em 1999, a graça fora gravemente abalada. Viraram covers de si próprios. Com o Iron Maiden foi mais ou menos parecido. Bruce Dickinson e Adrian Smith recuperaram seus postos e a banda se tornou um sexteto. Ficou com um time imbatível... em termos. A fase que se iniciou no final dos anos 1990 e que continua pegou o bonde do prog metal. Os discos saíram enjoativos demais. Sim, houve trabalhos excelentes, como Brave New World, mas falta aquele Sazón. Entretanto, ao contrário do Kiss, a performance ao vivo continua vibrante, explosiva e empolgante. Permanece animal e nos inspira a sair de casa para vê-los de perto. Realmente o leitor tem razão, é o “velho Guns N’ Roses” este de 2016, só que, por ora, apenas no que se refere às idades dos integrantes originais. Impeço a minha alegria de extrapolar o nível aceitável da expectativa. Mantenho-me na sanidade do contemporâneo, evitando a ilusão nostálgica. E o motivo é que há um tipo de prazo de validade no mundo do rock, que, quando vencido, resulta num troço morno, destoado, forçado. Mas não me parece ser este o caso de Axl, Duff e Slash. Embora o vocalista esteja soando meio Mickey Mouse, tenho curtido os vídeos da turnê atual. Bem, eles vêm ao Brasil em novembro. Será um teste e tanto. Tenhamos paciência e aguardemos. Abraço!
Matéria completa na Revista Bass Player 60/Setembro de 2016.
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