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Não vai ter ódio
Henrique Inglez de Souza
O  Brasil anda um cacareco nos dias atuais. Vergonha atrás de vergonha vinda lá da sala de controle do país. A massa de manobra de uns brigando contra a massa de manobra de outros. As redes sociais tornaram-se um campo de batalha política chatíssimo e cheio de blá-blá-blá choramingueiro (o que me dá imensa saudade de quando eram apenas um despejo de vaidade alheia). O pior de tudo é saber que as figuras e os grupos ideológicos defendidos a unhas e dentes não estão nem aí para quem esbraveja na internet, nas ruas ou de casa. É triste ver amizades e familiares se arranhando por tanto ódio vazio. Daí também aparecem os sintomas de que esses ânimos exaltados, como o poderoso câncer que são, proliferam-se vorazmente por esferas longe da política. Qualquer coisa virou alvo para se contestar ditatorialmente. É uma neurose isso. A intolerância descobriu sua maneira de incorporar feições de tolerância para imperar de vez na boca do povo. “Só serve o que eu achar que serve”, ficou assim o discurso politicamente babaca de 2016. Cospem-se verdades como se houvesse uma só, e universal. O mais deplorável é que essa tal “verdade” é nada mais do que o conceito que alguém criou e enxertou em cabeças do coletivo. É a vontade de um indivíduo, normalmente ganancioso, egoísta e malandro. O esporte do criticar até arrancar a pele chegou à música. Estilos diferentes dos que apreciam os donos da verdade viraram uma infração gravíssima. Recrimina-se com argumentos baixos e insanos o tipo de som por ser “uma bosta” e por que “só idiota” gosta dele. Não se pode mais errar a pontuação, a grafia ou a preferência em relação ao que uns consideram bom. Faça isso, e será taxativamente descreditado, esfolado e condenado – sem direito à defesa ou à apelação! Em algumas mensagens que recebo, em respostas de entrevistas que faço ou edito, ou mesmo nos comentários espalhados pelo Facebook, percebo que o cara que toca seja lá o instrumento que for anda meio apreensivo. Não são todos, eu sei, mas há quem esteja inseguro em relação ao direcionamento de sua própria carreira. Considera mudar. Isso é ruim, pois não se trata de uma necessidade sentida de dentro para fora. Vem de fora para dentro. É um golpe e tanto nos anseios de quem sonha e batalha para trilhar uma jornada sua no ambiente profissional – que por si só já é bem difícil. A que porcaria de ponto chegamos? Convicção é uma qualidade que possui RG e CPF, pô! A carreira que queremos é, na realidade, a vida que almejamos. Ninguém vive os nossos perrengues, ninguém sua o que suamos nem se dedica com o esforço que investimos. Só a gente é responsável pelo que faz, assim como somos os únicos (ou os principais) beneficiários dos caminhos que escolhemos movidos pelo que bate dentro de nosso peito. E não podemos perder essa consciência, meus amigos! Quando vejo esse pessoalzinho que abdica do próprio dia para criticar e proibir radicalmente os que trafegam por vias alternativas às suas, tenho nojo. E eles infernizam até o osso, para depois postar mensagem do Gandhi em suas timelines. É foda! Fica aqui o meu apelo, BPmaníacos: toquem corações com melodias e amor, e não com ódio! É o amor que frutifica positivamente (e que eventualmente torna o que fazemos popular, sucesso, atemporal, clássico). Já o ódio, este te leva uma parte importante a cada instante sem que perceba. Te traz a ruína silenciosa. Não teria havido metade das grandes aparições e transformações históricas na música se os protagonistas de tais ações tivessem se rebaixado aos que carregam o letal prazer da intolerância. Então, semeemos a nossa independência espiritual, aquela que nos motivou a entrar com tudo na música! Se vai dar certo ou não, penso assim: tentamos sempre, conseguimos às vezes, mas desistimos jamais! Abraços! Henrique Inglez de Souza – editor@bassplayerbrasil.com.br
Matéria completa na Revista Bass Player 56/Maio de 2016.
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