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Réquiem roll
Henrique Inglez de Souza
 O rock morreu? Não, não morreu. Algo tão culturalmente rico e enraizado não acaba só por causa do desânimo de alguns. O que está na UTI da coisa é o mercado fonográfico. Esse, sim, foi praticamente para o brejo, o que leva o rock a andar perdido na própria trilha. Aliás, acho que o estilo em si continua amadurecendo, só que à margem de onde alcançam os olhos e ouvidos da maioria. Sua agonia persiste é na falta de campo, no desinteresse perverso de grandes meios midiáticos e locais para shows, além de estar na bipolaridade dos que não sabem se batem (pirateando) ou afagam (prestigiando o trabalho dos outros). Num período crítico, é natural que haja economia esbarrando em ações socorristas para dar a volta por cima. Assim, de um lado, temos a “farra” das turnês comemorativas, dos tributos e dos relançamentos com bônus nos dando uma bela noção do enxugamento de criatividade em que se investe atualmente. E, do lado oposto, a internet e as manifestações de união em prol de novidades nos lembrando de que há gente interessada em avançar na história. Sintoma de fraqueza de iniciativa também é a demasiada masturbação pela retomada de formações clássicas (Kiss, Guns N’ Roses, Sepultura...). Obviamente, aquele combinado de integrantes e a química que tiveram merece o nosso sempre-querer. Porém, há algo extra, ruim, por trás dessa insistência inconveniente, que me torra os grãos: o recuperar do tempo perdido que não se recupera mais. Por exemplo, independentemente dos novos álbuns saindo, a atenção concentra-se nos comentários sobre uma eventual reunião. É uma nostalgia maníaca, exacerbada, que prejudica a memória do aqui, agora, e que paralisa o percurso rumo ao adiante. E algo sem o oxigênio do futuro deixa de existir. Então, se analisarmos friamente o contexto, vai dar a (falsa) impressão de que o rock morreu mesmo. Junte o dito até aqui ao fato de as rádios terem perdido a influência de outrora. Inclua ainda a real constatação de que as atrações que garantem maior diversão têm 30 anos ou mais (ou estão quase lá, já que as boas emergentes acabam sufocadas por esse cenário de parcas e porcas chances). Faça o teste: quais são os nomes e as canções que realmente marcam a presente década? Conseguiu achar mais de, ahn, três? Bem difícil, né? O mercado agoniza para sobreviver de um jeito que simplesmente não funciona mais, e o faz da pior maneira. O adjetivo adequado para se aplicar ao atual momento do rock é “tédio”, e não “morto”. Por isso, precisamos apoiar bastante as novas caras e bandas. Temos que incentivá-las divulgando, indo aos shows e comprando seus álbuns e/ou faixas (desde que dentro de um preço justo). Temos que dar suporte aos veículos que suam para continuar sendo uma referência do que acontece no mundo (algo vital). Devemos fazer isso tudo com ainda mais empenho. Hoje, dedicam-se expectativas demasiadas da maneira como acontecia até o início dos anos 2000: nós esperando as apostas do mercado. Esqueça! Aquela era já era, e agora a era é outra! Temos que, por conta própria, redesenhar a cena, os círculos e os nichos venosos. Estou dizendo algo mais manjado que trocar a foto do perfil no Facebook? Sim, estou, mas acontece que o dia a dia denuncia o quão pouquíssimos efetivamente se mobilizam para que morto esteja o marasmo e não o rock and roll.
Matéria completa na Revista Bass Player 45/Junho de 2015.
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