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Eu amo meu baixo
HENRIQUE INGLEZ DE SOUZA
 Outro dia, estava lembrando de quando decidi que iria aprender a tocar baixo. Era uma ideia fixa e meio sem razão. Testei a paciência do meu pai até ele me comprar um instrumento. Hoje, porém, entendo aquele desejo incontrolável. Eu queria a todo custo sentir na pele a magia que meus ídolos transmitiam em suas canções. De alguma forma, tinha que fazer parte daquilo! Assim, há 20 anos, dava novo lar a um quatro-cordas usado que estava esquecido numa loja de São Paulo. Era de uma marca modesta, mas foi paixão à primeira vista. Mal sabia sequer usar uma corda solta, mas, mesmo assim, ele foi generoso em produzir um som incrível no momento em que o testei. Me deu a certeza de que havia escolhido o caminho certo: a música. Virou um grande companheiro. Acompanhou meu aprendizado (sempre com paciência), me incentivou quando ficava desanimado, estava lá comigo nas bandas que tive, encaramos perigos e perrengues, dividimos grandes alegrias e realizações. Tudo com uma parceria fiel, segura e o seu timbre reconfortante. Mesmo depois de comprar outros baixos, o número 1 não perdeu o posto. Era e é especial. Após longos e ininterruptos 16 anos, porém, passei a não usá-lo mais em apresentações – estava surrado e pedindo arrego. Mas nunca faltou aos ensaios. Até que, certa vez, por conta de um descuido, furtaram meu baixo num estúdio. Na verdade, o sumiço durou apenas alguns minutos e mobilizou o pessoal do local. Encontramos meio separado para ser levado embora. Sorte pura! A tensão e a angústia geradas pelo susto de quase ter perdido meu grande e velho parceiro foram amargas. Me dei conta de que havia chegado a hora de preservá-lo, aposentá-lo. Já faz uns quatro anos que sigo sem meu principal baixo. Ele está muito bem guardado e protegido. De vez em quando, faço uma visita. Retiro-o de seu case, dou uma bela limpada e passamos algumas horas juntos. Plugo num amp e relembramos os bons tempos de nossa história.  Apesar de já um tanto cansado, ele responde com classe, vigor e aquele timbre mágico do qual jamais me privou. Não se importa com a nossa distância. Sabe que eu não o deixaria de lado por qualquer motivo e entende ser melhor permanecer recluso. Um sempre poderá contar com o outro – algo de valor inestimável. É por isso que eu amo meu baixo!
Matéria completa na Revista Bass Player 24/Setembro de 2013.
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