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Crie-se!
Henrique Inglez de Souza
Passando pela rua, quiseram me oferecer pão amassado. Era do que o diabo costuma nos preparar em momentos de aperto. Recusei, embora a fome estivesse pulsando inquieta dentro de mim. Insistiram, recusei novamente. Não adianta. A crise aperta, perfura, corrói, compromete, destrói. Ficamos perdidos, aflitos, sem muito pique. O pessimismo cai como chuva fina numa tarde bucólica: vem manso, e nos encharca. Mesmo assim, não solto o fio de firmeza que me conduz por entre convicções e objetivos de vida. Não o largo jamais. Caso não saiba, desculpe-me por te fazer descobrir assim, mas é uma minoria que torce por nós. E sempre foi dessa maneira. Do lado de lá, uma horda de recalcados trabalha ativamente para que fracassemos, para que sejamos sombras das sombras. A eles é insuportável ver e reconhecer que o outro deu certo, que tem êxito ao que se propõe. Geram, então, uma maré de negatividade absurda, capaz de derrubar os que se deixam levar pelo medo. É por isso que a nossa ilusão deve ser de um tamanho que caiba no bolso da realidade. Em tempos de crise para todos os lados, já não restam dentes para roermos tanto osso duro. Porém, não justifica aceitarmos o pão que o diabo amassou. A fome é outra! É fome da solução que existe (e existe, sim!). Seguir adiante requer a disciplina de monge budista e a força de vontade da Mãe Natureza. Bem, criatividade nunca será demais na sacola de primeiros socorros contra uma eventual pindaíba... Por fim, agir – no sentido de mexer o esqueleto em prol de possibilidades construtivas – é a chave para reflorestar a paisagem. Talvez não se acerte no início ou pouco depois, mas uma hora dá certo. Por pior que seja a situação, o mundo não acaba nela.  Entendo que a dor do perrengue, tal quais as demais, é pessoal e sei que é fácil falar de fora. Mas também acredito que essa dor muito tem a ver com o fato de sermos obrigados a deixar a zona de conforto. Se uma atitude assim desafia qualquer um e desagrada à maioria, imagine não ter opção. Nessas ocasiões, principalmente, consciência e pensamento positivo têm de caminhar juntos. Tem de haver uma conexão sólida entre ambos para que se possam tomar as medidas necessárias. Enfim, agir sem perder o fio de firmeza que nos mantém no percurso de nossos objetivos. Mas como? – essa é a pergunta valiosa aqui, cuja resposta varia conforme cada cabeça. Para não deixar a coisa no ar, sugiro algo que costumo praticar: veja mais além. Tudo tem um sentido escondido por trás da fosforescência de seu signo e significado. A pressão de um período turbulento pode nos desestabilizar de mil e uma maneiras imagináveis. Resulta em algo nada tranquilo, muito menos favorável, que normalmente nos leva a desistir de nós mesmos. E é aí que devemos permanecer de pé, fortes, diante dessa onda. É quando precisamos encará-la de frente, em seu interior. Então, tente se desligar do turbilhão e enxergar lá no âmago da coisa. Perceba o que e como atuar, investir. Identifique o norte do momento e vá adiante, brigando contra a tempestade por uma bandeira, a sua! Faça valer as cabeçadas que dará por um destino que irá te agradar. É a oportunidade de transformar “crise” em “crie-se”! Henrique Inglez de Souza editor@bassplayerbrasil.com.br
Matéria completa na Revista Bass Player 58/Julho de 2016.
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