------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Cara e coragem
Henrique Inglez de Souza
 Qual é o passo que se dá e que realmente excede o alcance da perna? Eis uma expressão que virou motivo de questionamento para mim: “Fulano deu um passo maior que a perna”! Quer dizer que ele se meteu em algo de que não dava conta ou exagerou na dose e se deu mal? E daí? Por muito tempo, encarei essa sentença como o resumo da desgraça merecida. Depois, porém, descartei uma visão tão maldosa como tal. Percebi que a expressão apenas joga cal de maneira poética sobre o insucesso alheio. Algo meio indiferente, sádico. Enfim, cruel e invejoso com relação ao esforço. Tomar uma atitude pede a consciência de que o resultado será positivo ou negativo. Óbvio? Sim, mas muita gente se esquece disso e se ferra na frustração. Mas o que quero frisar é que, por mais esquisito ou nada a ver que seja aquilo em que nos arriscamos, continuará dentro dos limites dos passos que damos. A vida provoca esse tipo de coisa, de fazer com que nos atiremos aos escuros com os quais esbarramos pelo caminho a fim de superarmos limites e avançarmos. As pernas têm a competência do tamanho da nossa garra, porque são uma representação desta. Perna = garra! Hoje, quando alguém desmerece a tentativa fracassada do outro (ou de si mesmo), retruco com um saboroso “quem não arrisca não petisca”. Acho que essa expressão do passo maior que a perna é a manifestação de um tipo medroso, acomodado e recalcado. É meio assim: “Como não tenho as manhas de me atirar nos desafios, quero que todo mundo se dê mal, pois assim saio menos feio na foto”. Papo de bundão! As mudanças na vida são sempre bem-vindas, acredite! Se tudo está no vermelho, num breu emocional total, numa baita crise, de nada dando certo e pessimismo, tenha fé: é por algo maior, é para o seu bem (ainda que não pareça)! A mesmice é um fio de alta tensão desencapado para os tentáculos de nossa curiosidade (que deve ser constantemente destemida). Tenho verdadeiro horror às coisas que podam, que castram a bravura. O medo, então, se transforma numa eficaz planta carnívora. Seja tormenta financeira, emocional, profissional... o universo movimenta as peças deste tabuleiro por boas razões – às vezes, para nos tirar da horrenda zona de conforto! Passo maior que a perna? Há! Conte outra! Quero mais é apostar em meus sonhos, minhas vontades, minhas verdades! No final, quem paga as minhas contas continua sendo eu, e ninguém mais! Então, por que é que os outros têm que apontar o dedo em riste para o meu nariz e ditar regra por regra de como devo viver? Quem se deixa levar por isso é quem repete a tal sentença de “fulano deu um passo maior que a perna”. Ou seja, um cagão de fraque, cartola e pose de babaca! Arrisque-se naquilo em que acredita ser o seu caminho! Se não der certo, não foi o passo que saiu maior que a sua perna. Foi apenas uma direção errada, uma experiência e um autoconhecimento a mais em seu vocabulário de vida. Agora, se der certo, erga um brinde à sua força de vontade, à sua ousadia, ao seu olhar emparelhado com o do desconhecido, à sua projeção como ser independente. Brinde de maneira sonora, viu? Pois não é fácil ser autêntico nos dias de hoje. E saiba que estarei brindando junto contigo, pois é de pessoas assim que quero estar rodeado e admirar. Um “viva” aos corajosos!
  Henrique Inglez de Souza – editor@bassplayerbrasil.com.br
Matéria completa na Revista Bass Player 50/Novembro de 2015.
Para adquirir seu exemplar clique aqui.

[VOLTAR]
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
LEIA TAMBÉM
Mentalidade hermética (27/03/2017)
Músico criticar preconceito com preconceito é inadmissível, ponto contra! Embora não seja mais um ... VEJA MAIS
Diletantismo (07/02/2017)
Numa tarde, há algumas semanas, encontrei o exemplar de um livro meu em um sebo. Aquilo me encheu de alegria. Por mais que ... VEJA MAIS
Comova-se! (23/12/2016)
A falta é um buraco que não se preenche. E não me refiro à falta de algum produto, de um objeto ou um ... VEJA MAIS
Ofício e sacrifício (23/11/2016)
Até onde ou quanto você está disposto a seguir pelo seu ideal? Essa pergunta tem me perseguido bastante ... VEJA MAIS
Teoria da ebulição (19/10/2016)
Enquanto vivemos uma feira aberta de ódio, em que se trocam ofensas, intolerâncias e preconceitos com tesão, ... VEJA MAIS
Patience (14/09/2016)
Recebi a mensagem de um leitor perguntando o que achei da volta de Duff McKagan e Slash ao Guns N’ Roses. A resposta foi a ... VEJA MAIS
 
 



Coloque o seu estudo em dia!






Assinaturas | Contato | RSS | Bass Player U.S |
© Copyright . 1996 . 2011 | BASSPLAYER.COM.BR - MELODY EDITORA | Todos os direitos reservados | Site desenvolvivo por Gustavo Sazes | Abstrata.net