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Pressa ou agilidade?
Henrique Inglez de Souza
Acho que fazia tempo que eu não encarava uma correria como a destas últimas semanas. Foi doideira de segunda a segunda, praticamente em período integral. Mal tive tempo de notar os dias passando. E vários foram os motivos para tal alucinada temporada – incluindo preparar esta edição da BP (o excesso de preciosismo é um vício antigo que tenho, especialmente em relação ao conteúdo que vamos publicar. Trata-se de um ritual que exige tempo, atenção, dedicação e muito suor). E você, já esteve numa dessas? A vida lá fora anda bastante agitada, não? Às vezes, a passos curtos e velozes. As pessoas agonizam-se em pressas intermináveis, queremos tudo para ontem: 4G e internet instantânea (ok, isso é bom), veículos desafiando limites de quilometragem pelas cidades e nas estradas, fast-food (quando o ideal seria uma alimentação saudável e feita com calma)... Enfim, por aí dá para se entender que estamos empurrando o mundo com mais neura do que antes. Dito isso, gostaria de esclarecer o meu ponto de vista: pressa não tem nada a ver com agilidade. Portanto, o rolo compressor ao que me referi acima é o da baita necessidade que criamos para preencher os horários dos quais nos cercamos. É o da histeria gratuita que costuma nos sugar energia além da conta. Agilidade é outra história! É a busca por aprimorar o universo que nos pertence, os prazeres e interesses que nos nutrem. Disso, sou um eterno praticante. Cada um sabe para quais assuntos mais brilha a sua esperteza, e é em prol dela que devemos investir minutos, esforços, tendinites e neurônios. Quando comecei a editar a matéria de capa deste mês, foi como se algo me tirasse dos trilhos por uns instantes. Peguei-me viajando na reflexão sobre pressa, correria e do quanto tudo isso realmente traz de benefícios. Continuava na pilha da maré de mil coisas a resolver simultaneamente, e tive a chance de dar uma parada inesperada. A pauta traz diversos exercícios para deixar as mãos em dia – uma espécie de fitness para as mãos. Embora se estude e se pratique à exaustão, vejo muita gente deixando de lado essa importante “ginástica” que ajuda a manter a abordagem fluente, precisa. Não é por mero acaso que encontramos gravações com performances soando meio quadradas, travadas. Vendo aqui e ali, me dei conta de que o dia a dia cheio de compromissos é a razão para a carência de uma dedicação melhor. Ou seja, a pressa vencendo a agilidade, pois não há espaço para burilar a veia baixística (ou a de qualquer outro instrumento musical). Como se subconscientemente nos negligenciássemos uma paixão (tocar baixo) porque tivemos que fazer isso e aquilo. Sacou? Infelizmente, não dá para sobreviver 100% de nossas paixões, mas podemos (e devemos) deixá-las bem mais presentes no cotidiano do que do jeito que está. Ao ler e me entranhar nos detalhes da matéria de capa desta BP, determinadas palavras iluminaram-se em minha mente. São elas: agilidade, precisão e postura. Saí do plano musical e levei o espírito dessa trinca a outras áreas da vida. Isso me levou de volta à rotina doida de correria em que estava afundado. Coloquei no papel o monte de pendências “para ontem” que tinha diante de meus olhos. No final, acabei até aliviado, pois boa parte era de sementes que plantava no terreno do futuro. Novamente pensando na tonificação das mãos que aqui oferecemos, percebi que já há algum tempo que venho substituindo estresse pela correria doida da positiva, da benéfica. Sei dizer que a minha breve pausa terminou com ombros menos pesados e uma sede ainda maior para suar litros de empenho. Estou certo de que venho investindo forte em agilidade, e não em pressa. Quero ser sempre uma pessoa mais ágil naquilo que me constrói satisfação, naquilo que me estampa sorrisos no rosto e um aconchego no peito. Então, até que as últimas semanas de “encrenca” não foram de todo más. Mas e você, o que tem priorizado?
Matéria completa na Revista Bass Player 49/Outubro de 2015.
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